terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Deixo a deixa

O germe da violência propaga-se em proporções semelhantes às das doenças infecciosas
Gilberto Dimenstein
Não existe a possibilidade de viver sem conviver; os seres humanos são seres sociais e precisamos uns dos outros para a própria subsistência
Xesús R. Jares
Ouvistes que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai os vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem
Jesus Cristo

Sendo o Natal, para mim, sobretudo o "Emanuel - Deus connosco", deixo a deixa: porque não deixamos que seja Natal?

terça-feira, 16 de dezembro de 2008

As Interacções na Tutoria online - Resumo

Os novos contextos de comunicação e interacção obrigam a reequacionar e a adaptar papéis e funções de diferentes actores, assim como a utilizar algumas variáveis tais como “espaço” e “tempo”. É neste sentido que tomamos a figura do tutor, procurando redefinir as suas funções desempenhadas em contextos dominados pelas Tecnologias da Informação e Comunicação.
Acreditamos que o enorme potencial das TIC (sobretudo a Internet) deve ser potenciado no que à comunicação e à interacção pedagógicas dizem respeito, dada a relevância especial que a sua finalidade educativa e/ou formativa deve assumir, mas também sabemos que disponibilizar e trocar informação não é, só por si, educar ou formar, pelo que propomos a utilização das tecnologias ao serviço de uma comunicação bidireccional que contribua para a melhoria, quer da prática lectiva, quer da prática relacional em ambientes educacionais.
Pretendemos, assim, desenvolver um projecto de investigação-acção que procura definir o perfil do tutor em ambiente de aprendizagem num contexto online, associando a sincronia e a assincronia. Na especificidade desse ambiente e na diversidade dos seus intervenientes, como formandos (aqui designados como tutorandos), identificaremos as características necessárias a esse tutor, através do conhecimento das principais dificuldades sentidas e registadas pelos tutorandos (educadores/professores/formadores/coordenadores). Além da identificação dos papéis e funções que correspondem ao desempenho do tutor, é nossa intenção relevar o estudo das interacções desenvolvidas, através das suas diferentes práticas tutoriais.
Um genuíno desejo de ajudar as pessoas a gerarem o seu potencial.
Uma paixão para ajudar as pessoas a crescerem e a serem mais bem sucedidas.
Uma capacidade para escutar sem julgar.
Este é o mote, dado por Philippe Rosinski, para a minha aventura de dissertação, no âmbito do Mestrado.
Porque gosto do que é genuíno, porque sou apaixonado, porque aprecio quando os outros crescem.
Porque gosto que me ajudem quando julgo mal...

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Enquanto espero...

Volto ao nosso espaço, enquanto espero...
Da infância recordo o que o meu pai me dizia, "saber esperar é uma grande virtude!...", e enquanto espero, pergunto-me se já o sei, se algum dia o saberei, se não será também a espera, ela própria, uma virtude...
O que espero, afinal?!...
Desta Unidade Curricular, espero ter-me iniciado na aventura da Investigação, enquanto espero, também, pela avaliação.
Deste espaço, espero que seja ágora, espero que à maneira de Corinto, espero que sirva como plataforma do trabalho de Tese.
Destes próximos meses, espero desafios.
Enquanto espero, espero que isto faça algum sentido...

segunda-feira, 30 de junho de 2008

Adeus, Zona de Conforto Intelectual...


Confesso: esta Unidade Curricular tem-me obrigado a sair da minha “zona de conforto intelectual”, a qual minuciosamente (desgraçadamente?!...) venho tecendo ao longo dos últimos 20 anos.

Com efeito, a minha Licenciatura em História foi assumidamente orientada segundo a perspectiva do estudo das Mentalidades, tendo conseguido optar pelas “cadeiras” dessa área, e todo o meu percurso (enquanto educador/formador, e, nos últimos anos enquanto orientador de estágio pedagógico) foi feito, outra vez confesso, privilegiando a filosofia das coisas, das acções, dos procedimentos, investindo sobretudo na qualidade das relações interpessoais, e não prestando tanta atenção, até por falta de tempo de qualidade, mais do que de vontade (em 18 anos “de serviço”, só em 2 leccionei a menos de 25km de casa…) às questões da investigação (seus paradigmas, sua metodologia, sua prática).
Ora eu sei que tudo o que disse atrás não me desculpabiliza, nem sequer me teria impedido de, à partida, considerar estas temáticas, mas de facto esta foi a Unidade Curricular, no Mestrado em Supervisão Pedagógica, que, como já disse, me obrigou mais a sair do conforto das preferências, dos hábitos, dos “sofás intelectuais” nos quais nos vamos sentando, por opção (menos) ou por desleixo (sobretudo)…
Quando criei este weblog, a ideia, talvez demasiado romântica, passava pela interacção e circulação de ideias/de ideais (a Ágora, na Grécia Antiga, era a praça principal na constituição da pólis, a cidade), e portanto escrevi que pretendia “um espaço livre, público, marcadamente aberto, segundo a lógica clássica de participação” - daí a referência a uma bela cidade, Corinto, na qual já tive o grato prazer de passear, conhecer, cheirar…
Cedo me apercebi, no entanto, da dificuldade dessa desejada interacção, uma vez que os meus amigos, a quem informei do nascimento do novo espaço, não estavam “para aqui virados”, bem como por parte dos meus colegas, tão atarefados quanto eu na frequência deste Curso…
Depreende-se então o falhanço da iniciativa? Não! Passo a considerar:
1. Os Objectivos desta unidade curricular passavam pela familiarização com os procedimentos metodológicos “que norteiam e permitem a realização de uma investigação no campo da Educação”, através do conhecimento dos métodos possíveis, dos instrumentos de recolha e de análise de dados, bem como da reflexão sobre as suas respectivas vantagens e desvantagens, adquirindo sensibilidade para os aspectos éticos e para as competências necessárias para a realização da dissertação de mestrado.
Penso ter, humildemente, começado um espaço, que prometo desenvolver, no qual existem referências criteriosamente seleccionadas a cada um daqueles objectivos, nomeadamente aos paradigmas e métodos de investigação em educação, às etapas fundamentais do processo de investigação, aos modos e técnicas de recolha e análise de dados, bem como à postura ética na actividade investigativa;
2. Ao longo das várias temáticas (o processo de investigação, o processo de recolha de dados, a investigação-acção em Educação, a análise de dados, as questões éticas na investigação educacional), fui procurando, embora, como escrevi, certas tarefas me tenham parecido hercúleas, “dada a minha propensão para evitar “as matemáticas”…, saindo da tal “zona de conforto intelectual”, ir além do que gostava, do que me dava mais prazer estudar, procurar o até aí “horrível”, com o firme propósito de cumprir o ideal olímpico, “mais forte, mais longe, mais alto”;
Identifiquei paradigmas e métodos de investigação em educação, relembrei as etapas fundamentais do processo de investigação, seleccionei informação relevante, conhecendo trabalhos de dissertação de mestrado, trabalhando em equipa ou individualmente, interagindo, não percebendo por vezes, admirando, contemplando e considerando excelentes contributos de colegas, pesquisando, pesquisando, pesquisando…;
3. Os recursos de aprendizagem apresentados pelas Professoras Alda Pereira e Luísa Aires, de grande qualidade, muito actuais e úteis, muito contribuíram para que a possibilidade da investigação esteja agora muito mais nos meus horizontes do que há poucos meses atrás (quem diria?!...);
4. A forma como as Professoras desta Unidade Curricular nos proporcionaram caminhos, muito mais do que certezas, foi para mim fonte de inspiração para a prática pedagógica, sobretudo em idades mais avançadas;
5. E por fim, last but not the least, a Ética, talvez o assunto intelectualmente mais próximo da minha formação de base, que tanto gozo me deu considerar, na medida em que tem de proporcionar a ancoragem a todo o edifício investigativo.
Assim, embora não tão ágora como esperava, nem tão de Corinto como queria, certamente muito longe do “sofá intelectual” no qual estava sentado… portanto, este weblog é para continuar. Prometo!

Breve e sucinto guião das etapas de uma investigação


Embora a nomenclatura das etapas de uma investigação seja algo variada consoante o recurso bibliográfico utilizado, podemos sugerir:
1 - Planeamento
- Formulação do Problema que dá origem ao estudo a realizar;
- Identificação dos objectivos, relevância e limitações;
- Formulação da pergunta inicial: observar o quê?;
- Formulação de questões e das intenções/hipóteses de investigação (resultantes da pergunta de partida), tendo em vista a clarificação do objecto de estudo e que serão a referência para a posterior definição dos rumos da investigação;
- Revisão da literatura sobre o assunto;
- Escolha do modo de abordagem de recolha e análise de dados (Paradigma ou método de Estudo - quantitativo ou qualitativo);
- Realização da calendarização (cronograma para o desenvolvimento das etapas seguintes);
- Elaboração de um plano de investigação, cujo plano poderá ser:
. Título (mesmo que este possa vir a ser alterado);
. Objectivo da investigação: problema de investigação, justificação do estudo, limitações do estudo, questões ou hipóteses de investigação, definição de termos (palavras – chave do estudo a realizar);
. Revisão da literatura;
. Procedimentos: apresentação do plano de investigação, indicação do processo de amostragem (sua justificação), instrumentos de pesquisa a utilizar, actividades a desenvolver (descrição pormenorizada de todas as etapas / fases da investigação), validade (de que forma será levada a cabo a validade interna do estudo), análise de dados, calendarização;
. Referências bibliográficas
* estratégias de recolha de informação que serão orientadas por perguntas e hipóteses, tendo em atenção o inesperado;
* definição do objectivo da pesquisa;
* definição clara da meta ou etapas a alcançar pelo investigador: estudos exploratórios (fazem o reconhecimento de uma determinada realidade); estudos sociográficos ou descritivos; e estudos verificadores de hipóteses causais (partem das hipóteses para a sua verificação);
- Selecção de técnicas de investigação;
- Selecção e/ou construção de instrumentos de pesquisa;
- Identificação e articulação dos recursos necessários à investigação (exequibilidade):
* Apoio financeiro;
* Apoio logístico;
* Apoio documental;
* Orientação científica.
2 - Obtenção de acesso ao campo de estudo
3 – Elaboração das Grelhas de análise de dados
4 - Análise do campo
5 - Recolha de dados
- Observação participativa;
- Entrevista;
- Fotografia;
- Documentos/estatísticas oficiais;
- …
6 - Elaboração das notas de campo
7 - Análise dos dados recolhidos
- Interpretação dos dados tendo como base os estudos teóricos
8 - Elaboração das conclusões
9 – Divulgação dos resultados

(Este breve e sucinto guião das etapas de uma investigação resultou de um trabalho do "Grupo Verde", constituído pelos meus caros amigos e colegas Bruno, Carla, Henriqueta, Odília e eu próprio)

Plano da Unidade Curricular de Investigação Educacional (Mestrado em Supervisão Pedagógica)


1. O processo de investigação
1.1. Os paradigmas na investigação em ciências sociais/os métodos
1.2. As etapas do processo de investigação e a organização do relatório de investigação
2. O processo de recolha de dados
2.1. O questionário
2.2. A entrevista
3. A investigação-acção em Educação
4. Análise e tratamento de dados
4.1. A análise quantitativa
4.2. A análise qualitativa
5. Questões éticas na investigação educacional